A essência da Transcendência é a real natureza da Eternidade!
- Melchizedek Maharaji -

A Consciência, a Vacuidade e o Mar

A consciência

Trecho dos ensinamentos de Lama Padma Samten durante o retiro de verão, de 17 a 24 de fevereiro, no CEBB Caminho do Meio (Viamão/RS). Transcrição de Carolina Bastos.

“As coisas não são sólidas. Se elas não são sólidas é porque elas emergem, elas coemergem, as aparências coemergem. Então eu preciso entender isso. Isso é uma vacuidade lúdica. Não estou me dando conta que as coisas não existem. Estou me dando conta de como é que elas aparecem, como elas surgem. Eu vou utilizar esse mecanismo para ultrapassar o sofrimento e trazer benefício aos seres. Então essa vacuidade ela não é o objetivo final, a gente vai adiante na prática. Tampouco é a manipulação dessas aparências é nosso objetivo. Nós vamos localizar que além dos fenômenos de indexação e coemergência existe uma natureza livre. Se as coisas surgem por coemergência elas brotam. Desse modo existe um estado anterior de brotar. […]

“O ensinamento do Buda é assim: esse conjunto de surgimentos e de dissoluções não importa. O que importa realmente é que tem uma natureza livre, uma condição estável fora desse surgimento e dissolução. […] O mesmo lugar onde as ondas surgem é o mesmo lugar onde as coisas desaparecem. Por isso tem aquela analogia com o mar. O mar continua, o mar é que importa.

Aqui, enquanto estamos estudando prajnaparamita, estamos nos dando conta que as ondas e os formatos das ondas evocam coisas mas são apenas ondas, aquilo surge e cessa. Eu posso também fazer essas ondas surgirem. Eu posso olhar as ondas de diferentes modos, produzindo outras aparências, mas esse fenômeno não é o mais importante, o mais importante é que há essa natureza livre. Então quando a gente pensa no mar, naquilo que é “sólido”, nós pensamos como a grande espacialidade. Dessa grande espacialidade surgem as formas e as formas se dissolvem. O surgimento das formas vamos chamar luminosidade, e o fato de que elas são coemergentes, que elas não tem substancialidade em si mesmas, é chamado de vacuidade.

Vacuidade é uma característica da luminosidade. […] As aparências que surgem por luminosidade, elas são vazias. São como traços no ar, como faíscas atmosféricas. Elas são como sons, como ecos. Existem vários exemplos da vacuidade.

A vacuidade surge desse modo, a aparência da vacuidade surge assim. E como nós estamos presos às aparências das coisas como se fosse externa a nós, fixa e real, nós estamos presos à insatisfatoriedade, à impermanencia ao sofrimento. Nossa mente, operando ligada a essas aparências, passa por insatisfatoriedade, impermanência e sofrimento. Inevitável! Assim, a insatisfatoriedade, a impermanência e o sofrimento… os próprios sofrimentos! A roda da vida é a história disso.

Mas como nós estamos tão sérios dentro dessas realidades, fazendo tantos esforços, a gente tem a sensação de que isso é o mundo completamente sólido, por isso a gente precisa de prajnaparamita, que olha as formas, as sensações, a formação mental e a consciência como vacuidade.”

 

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