A essência da Transcendência é a real natureza da Eternidade!
- Melchizedek Maharaji -

Respeito com o Sagrado

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Responsabilidade com a Ayahuasca Sagrada

 

A demanda mundial pela ayahuasca, que possui propriedades espirituais e terapêuticas segundo seus defensores, tem crescido diariamente. Esta demanda local e internacional tem aumentado o preço do chá, além de ameaçar de extinção o cipó em regiões da Amazônia.

Institutos sérios que ainda não se tornaram independentes em relação ao cultivo das plantas são muitas vezes confundidos de fazerem Comercio do Sagrado, em função dos seus custos operacionais.

A utilização ritualística do chá inclui diversos custos, como:

1) Manejo Sustentável das Plantas: Aquisição de terreno para plantio, obtenção de mudas de jagube e chacrona, tratamento da terra com adubagem e irrigação, instrumentos para colheita do jagube (facões e foice) e pessoal mobilizado ao trabalho.

2) Produção da Bebida: Jateadora de água para limpeza do cipó, triturador ou marreta para maceração do cipó, caixa d’água para armazenamento dos cozimentos, panelas inox, fornalha a lenha ou fogareiro a gás, garrafas para armazenamento da bebida e pessoal mobilizado ao trabalho.

3) Celebração do Ritual: Aquisição/aluguel do espaço, água, energia elétrica, colchonetes, cadeiras, som, incensos e velas, papel higiênico, sacos plásticos para vômitos e material de limpeza do espaço.

4) Custo Institucional: Contador, registro do cartório e da Receita Federal para obtenção do CNPJ e site para divulgação dos rituais.

Para avaliar se a instituição é séria e comprometida com a espiritualidade, é importante considerar os custos envolvidos, saber se os dirigentes possuem uma profissão que os sustente e se eles fazem o uso do trabalho espiritual visando seu próprio enriquecimento.

No Documento de Deontologia do Uso da Ayahuasca, aprovado pelo GMT-CONAD, consta o seguinte trecho sobre a comercialização:

  1. O GMT reconhece o caráter religioso de todos os atos que envolvem a Ayahuasca, desde a coleta das plantas e seu preparo, até seu armazenamento e ministração, de modo que seu praticante de tudo participa com a convicção de que pratica ato de fé e não de comércio. Daí decorre que o plantio, o preparo e a ministração com o fim de auferir lucro é incompatível com o uso religioso que as entidades reconhecem como legítimo e responsável.
  2. Quem vende Ayahuasca não pratica ato de fé, mas de comércio, o que contradiz e avilta a legitimidade do uso tradicional consagrado pelas entidades religiosas.
  3. A vedação da comercialização da Ayahuasca não se confunde com seu custeio, com pagamento das despesas que envolvem a coleta das plantas, seu transporte e o preparo. Tais custos de manutenção, conforme seja o seu modo de organização estatutária, são suportados pela comunidade usuária. E é evidente, também, que a produção da Ayahuasca tem um custo, que pode variar de acordo com a região que a produz, a quantidade de adeptos, a maior ou menor facilidade com que se adquire a matéria prima (cipó e folha), e se trata de plantio da própria entidade ou se as plantas são obtidas na floresta nativa, e tantas outras variáveis.
  4. Historicamente, porém, de acordo com a experiência das entidades religiosas chamadas a compor o Grupo Multidisciplinar de Trabalho, esse custo é partilhado no seio da instituição por meio das contribuições dos membros de cada entidade. Os sócios respondem pelas despesas de manutenção da organização religiosa, nas quais estão incluídos os gastos com a produção da Ayahuasca, com prestação de contas regular.
  5. O uso religioso responsável na produção da Ayahuasca é delineado a partir da constatação das práticas das entidades: a) cultivar as plantas e preparar a Ayahuasca, em princípio, para seu próprio consumo; b) buscar a sustentabilidade na produção das espécies; e, c) quando não possuir cultivo próprio e nenhuma forma de obtenção da matéria prima na floresta nativa – sem prejuízo de buscar a auto-suficiência em prazo razoável – nada obsta obter o chá mediante custeio das despesas tão somente, evitando-se que pessoas, grupos ou entidades se dediquem, com exclusividade ou majoritariamente, ao fornecimento a terceiros.

E sobre o fornecimento e/ou comércio da Ayahuasca o Grupo Multidisciplinar de Trabalho aprovou o seguinte:

  1. Todo o processo de produção, armazenamento, distribuição e consumo da Ayahuasca integra o uso religioso da bebida, sendo vedada a comercialização e ou a percepção de qualquer vantagem, em espécie ou in natura, a título de pagamento, quer seja pela produção, quer seja pelo consumo, ressalvando-se as contribuições destinadas à manutenção e ao regular funcionamento de cada entidade, de acordo com sua tradição ou disposições estatutárias;
  2. O uso responsável da Ayahuasca pressupõe que a extração das espécies vegetais sagradas integre o ritual religioso. Cada entidade constituída deverá buscar a auto-sustentabilidade em prazo razoável, desenvolvendo seu próprio cultivo, capaz de atender suas necessidades e evitar a depredação das espécies florestais nativas. A extração das espécies vegetais da floresta nativa deverá observar as normas ambientais;

 

Ademais, cabe destacar dentro da responsabilidade, a importância da utilização da ayahuasca por instituições sérias, que têm na figura de seus dirigentes a segurança médica e psicológica dos seus membros.

 

*A mistura de comércio e religião recebe o nome de simonia, em referência a Simão, o mágico, que quis comprar com dinheiro o dom do Espírito Santo, segundo o relato de Atos 8.9-23.

 

Confira na íntegra o relatório final aprovado GMT-CONAD:

Relatório Final do GMT-CONAD

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